Parte 1
Se Deus é bom, por que existe o mal?
Paradoxo de Epicuro
Vez ou outra, essa pergunta surge nas redes sociais, nas aulas de filosofia, nas conversas entre amigos ou até no grupo de estudo da Bíblia.
Não é realmente uma resposta muito fácil de responder, tanto que, há muitos anos, vários pensadores, filósofos e teólogos debatem sobre o assunto. Mas quero dar a minha singela contribuição, respondendo a essa questão com alguns argumentos, não meus, mas que entendo serem suficientes, pelo menos como início, para responder satisfatoriamente a essa questão.
O Paradoxo de Epicuro, também chamado de Problema do Mal
A lógica do argumento
O raciocínio resume-se no dilema de que a presença do sofrimento no mundo contradiz a simultaneidade dessas qualidades divinas:
1. Onipotência — pode todas as coisas.
2. Onisciência — Deus tem ciência de todas as coisas.
3. Onibenevolência — bondade absoluta de Deus.
Se Deus quer acabar com o mal e não consegue, não é todo-poderoso.
Se consegue, mas não quer acabar com ele, não é totalmente bom.
Se não quer e não consegue, não é Deus.
O falso dilema: Epicuro erra ao ignorar uma terceira via
Para Epicuro, só há duas alternativas:
Deus não elimina o mal porque não quer ou porque não pode.
Porém, Deus pode ter um motivo moralmente justo para permitir temporariamente o mal, não se limitando apenas às opções de ser fraco ou mal.
Deus permite o mal, assim como um pai que leva seu filho ao dentista para um tratamento de canal. Para a criança, pode parecer que o pai é um homem mau, mas ela ainda não consegue ver que a dor que seu pai permite que ela sofra agora é para um bem maior.
O livre-arbítrio e suas consequências
Ninguém pode amar por obrigação. Tem que ser por decisão.
Se Deus fizesse o homem obrigado a amar, o amor não seria genuíno. Portanto, era necessário dar ao homem o direito de escolher amar ou não, fazer o bem ou não.
Para que o amor e a bondade humana sejam reais, o ser humano precisa ser livre.
Deus permite o mal como uma consequência inevitável da nossa liberdade de escolha, e não há verdadeira liberdade sem consequência dessa liberdade real.
Portanto, a existência de consequências, inclusive o sofrimento, não é uma falha do sistema, mas sim a prova de que a liberdade humana é real e profunda.
Se você tirar a consequência, você esvazia a liberdade.
Logo, o mal é a consequência da liberdade que o homem tem de escolher, inclusive o que é mal.
O amadurecimento da alma
O sofrimento e os desafios do mundo funcionam como uma escola. Eles são necessários para que virtudes reais, como a coragem, a compaixão e a superação, possam existir e se desenvolver.
O mal ou a tragédia não acontecem porque Deus é fraco ou cruel, mas porque certas qualidades humanas profundas só podem existir se forem forjadas no fogo da dificuldade.
Uma pessoa não amadurece por causa da dor em si, mas pela resposta psicológica e moral que é forçada a dar àquela dor.
A visão limitada
Nós temos uma perspectiva humana e de curto prazo.
Um Deus eterno e onisciente pode permitir um mal menor agora para garantir um bem muito maior no futuro, que nossa mente não consegue enxergar por completo.
Veja o exemplo do pai que leva o seu filho ao dentista.

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